Crescer e Aprender ou Crescer e Desaprender?!


“That’s the real trouble with the world. Too many people grow up.” 
Walt Disney

No Dia da Criança é impossível, não me sentir nostálgica. A verdade é que o tempo passa mesmo a correr, especialmente após o Secundário, onde a faculdade ou o trabalho vos começa a consumir os dias, os fins de semana deixam de ser sinônimo de paz e descanso e passam a ser sinônimo de muito estudo ou trabalho. 

Se há uns aninhos tudo o que mais desejava era ser mais velha, namorar, sair à noite, faculdade, trabalhar e estar cada vez mais próxima da minha independência, hoje olho para trás e penso "Fogo que saudades, se pudesse voltar atrás teria aproveitado o dobro ou o triplo". A verdade é que somos quase sempre teimosos, achamos que sabemos tudo, temos sempre razão e com o tempo percebemos que as coisas nem sempre correm como nós desejamos, aprendemos que aquele namoro louco de Secundário no qual nos víamos casadas acaba, e que afinal há melhor, perdemos pessoas que nos marcaram, caímos, aprendemos principalmente que existem alturas em que nos temos de levantar sozinhos, ter a humildade de assumir os nossos erros e começar a ter responsabilidade sobre as nossas ações.

A verdade é que crescer não é fácil, todos os anos as responsabilidades começam a ser maiores e deixamo-nos consumir por isto tudo da "vida adulta" e deixamos de viver a vida tal como ela deve ser vivida. 
Deixamos de amar somente porque sim, racionalizamos tudo o que sentimos, o que nos impede efetivamente de sentir, pensar e sentir são opostos, questionamos demais e vivemos de menos, entregamos pouco mas esperamos receber muito, deixamos que o medo tome conta de nós e nos impeça de viver o presente e o futuro. E sonhar.... bem a "gente grande", pouco ou nada sonha, contenta-se com tudo o que vai acontecendo e não tem ambição de ir mais além. Por fim, esta "gente grande" parece que não dar valor às coisas mais simples da vida, um abraço de quem ama, o barulho das ondas do mar... Quem não dá valor a estas pequenas coisas, sabe dar o devido valor a conquistas grandes. 

Não existe maior frustração na vida, acredito eu, do que a de nos arrependermos de não termos feito ou vivido algo, o tempo infelizmente não para. Ensinamos tanto às crianças, mas elas também têm tanto para nos ensinar, pequenas coisas tão preciosas. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa extremamente expontânea, sonhadora, emotiva, que quando quer algo não se atira de cabeça mas logo de corpo todo. Mas valerá a pena viver a vida se não for intensamente?! Vejo-me daqui a uns aninhos a viver no corpo de quarentona, a sonhar como uma criança de 10, a amar como uma adolescente de 15 e com dilemas de uma mulher de cinquenta.

Vivam todos os dias como se fosse o último dia das vossas vidas, digam às pessoas que vos rodeiam o quanto as amam, não compliquem o que é simples, não deixem de viver só porque têm medo, porque no passado foram magoados, pensem menos e vivam mais. Como diz a minha avó: "Temos de saborear o que a vida tem de melhor e mais simples: o que é belo aos olhos e quente ao coração".





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