Por que Paris é a cidade do amor?


De volta à santa terrinha, viva, inteira, com mais dois kilos, feliz e cheia de histórias para contar. Os últimos quatro dias foram mágicos, falei com tantas pessoas diferentes, fotografei muito, visitei todas as maisons de alta costura em busca da sua história, visitei lugares que inspiraram pessoas como Gabrielle Chanel, Christian Dior, sai todos os dias às 6 da manhã do hotel, levei as minhas pernas ao limite, comi e abusei nos macarons, baguetes, iguarias da pastelaria francesa, queijo, vinho, champanhe e chocolate quente... Vim uma pessoa tão mais rica intelectualmente.

Uma das coisas que fui fazer em Pari foi encontrar a resposta para a pergunta: "Porque Paris é a cidade do amor?!", fazer a pergunta a várias pessoas, comparar respostas. Tudo em Paris nos leva a este romantismo, desde a arquitectura, a luz, os lugares...mas o porquê?!!. Várias foram as respostas a esta pergunta, desde histórias de amor vividas na cidade como tanto me contaram nas maisons de alta costura, algumas opiniões abstractas, no entanto a mais completa foi a do dono do hotel.

Quando terminei o último post no blog, já eram 5 da manhã, e para dormir uma hora, mais valia andar a café o dia inteiro. Fui então para recepção do hotel, comecei a pedir indicações de sítios para ir, e nisto apanho o dono do hotel, um senhor mais velho, com uma boina na cabeça mesmo à francesa, que me pergunta se gosto do quarto se está tudo bem, o que uma miúda de 19 anos está a fazer sozinha etc etc.. e nisto pergunto-lhe: "Why Paris is the city of love?" . Abençoado seja o inglês daquele senhor, que o meu francês não dava para tanto.

Após a Revolução Francesa, no Séc XVIII começou-se a assistir à manifestação do romantismo, como movimento artístico, opondo-se à racionalismo dos ideais da Revolução Francesa, havendo uma valorização das emoções de uma forma por vezes exercebada, liberdade de criação, individualismo, nacionalismo e exaltação da natureza. Este período foi altamente influenciado pelos ideais do iluminismo e pela liberdade conquistada na Revolução Francesa. Como qualquer movimento artístico, influenciou artistas nas mais variadas áreas como a filosofia, literatura, pintura, musica, teatro, arquitectura... A Opera Garnier foi construída nesta altura por exemplo, e é de longe um dos monumentos mais bonitos que já vi.

No entanto Paris estava bem longe de ser a cidade bonita que conhecemos hoje, as ruas eram estreitas, não havia iluminação, sistema de esgotos, e em 1853 Paris sofreu uma reforma, como nunca antes e depois foi vista na Europa, Napoleão III deu instruções a Haussmann, para reconstruir a cidade, com grandes avenidas. As regiões de Paris foram completamente demolidas e reconstruidas.

Haussmann fez bem mais que isso, definiu regras arquitectónicas específicas, como a homogeneidade das construções de Paris, fachadas em blocos de pedra da mesma altura, proporcionais à largura das ruas, implementou a distribuição urbanística em 20 arrondissements, distribuídos em forma de espiral que se desenvolvem no sentido dos ponteiros do relógio, a partir de um ponto central localizado no Louvre. Paris foi demolida e reconstruida.

 Paris acabou por se tornar o centro da Europa, e o maior exportador de cultura mundial, as maiores elites iam pelo menos uma vez por ano a Paris, onde assistiam a óperas, teatros, a alta costura começa a dar os primeiros grandes passos, e o estilo de vida boémio parisiense começa a dar que falar, com os espectáculos de Cancan no Moulin Rouge.


Num breve resumo, foram vários os acontecimentos que influenciaram a forma como hoje vemos Paris, no entanto a meu ver, nenhum deles foi tão forte como os ideais da Revolução Francesa, especialmente a liberdade, liberdade de sentir, expressar e fazer.
Na entrevista que fiz à Caroline de Maigret (Aqui), ela respondeu-me que Paris era a cidade do amor por causa dessa mesma liberdade. Na primeira noite inclusive enquanto estava a passear pelas margens do Sena, antes de perder o ultimo metro vi uma rapariga de burca sentada em cima de um rapaz ao beijos num banco como se não houvesse amanhã e ver aquilo fez-me pensar... Certamente no país dela aquilo era mais que um escândalo e no Dubai por exemplo dava direito a cadeia. Infelizmente não tirei foto, porque ia ter de usar flash e não seria uma situação muito agradável, mas ficará certamente para sempre na minha memória.













CONVERSATION

1 comentários:

  1. Gostei imenso do post Daniela! Super interessante e com todo o sentido! Paris é uma cidade encantadora!
    Beijinho, Ana Rita*
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